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18 de Setembro de 2019

Compliance, Governança e Cultura da empresa

Um novo jeito de gerir, supervisionar, educar o mundo corporativo

Cristian Rodrigues Franca, Advogado
há 4 meses

Não temos dúvidas que o Programa de Compliance veio para ficar, não importa se você gosta ou não, se acredita ou não, ele veio, isso é fato e já está mudando o mundo financeiro, o mundo corporativo e como as partes envolvidas devem se comportar.

O Programa de Compliance vem no sentido de fiscalizar, regulamentar, buscar integridade nas relações negociais entre o ente público, privados e público-privado, se tornando um importante instituto tanto na fiscalização destas relações como também em sua proposta de adequação as normas, na busca de algo melhor e mais transparente, diminuindo riscos, desvios, fraudes em seus inúmeros nichos de mercado.

Advindos de leis anteriores como a lei americana FCPA ou a inglesa BRIBERY ACT, e no Brasil leis como Improbidade administativa, o programa de leniência , com a edição da Medida Provisória nº 2.055-4/2000, posteriormente convertida na lei federal nº 10.149/2000, que incluiu os artigos 35-B e 35-C na Lei de Defesa à Concorrência à época (Lei nº 8.884/1994) e claro, a chamada lei Anticorrupcao ou lei da Empresa Limpa ( A Lei nº 12.846/2013) e demais leis esparsas fazem o importante contorno deste instituto de grande magnitude da atualidade.

Bem, para não repetir quase todos os artigos que só falam de leis e teorias, mas em regra não abordam temáticas práticas, vamos direto ao ponto do título deste artigo.

Importante ratificar que o Compliance trata-se e exige uma nova maneira de gerir empresas e negócios, maneira esta envolto a uma nova gama de conhecimentos e atos prático para que o referido programa não seja apenas um MKT empresarial, como um selo de qualidade, ou uma cortina de fumaça, apenas para afastar investigações de mudanças reais e necessárias.

Não podemos falar de um novo modelo de gerir empresas e negócios, se isso não envolver controle, supervisão, e claro, uma nova cultura a ser implantada, ao qual se mostra fundamental a chamada corporative education!

Ora, vamos ser práticos, diretos e assumirmos que as consultorias, e várias certificações em geral esbarram em dificuldades pragmáticas de cultura, ou seja de uma cultura de não mudança, da chamada "sindrome de Gabriela" (eu nasci assim, vou ser sempre assim...), e as mudanças se acontecem, permanecem por pouco tempo, pois em regra cobram apenas requisitos, planilhas, papeis a serem preenchidos...

Um Programa sério de Compliance tem que necessariamente passar por uma mudança de cultura interna da empresa, envolvendo desde o mais alto escalão, até o chão de fábrica, e sem a educação corporativa, este implemento, essa mudança se mostra fraca ou de baixa longevidade.

Gerir, supervisionar e educar/ensinar são meios fundamentais para a boa implantanção do Programa de Compliance, a busca integrada de todos os stakeholders, será melhor, mais bem aproveitada de de maior participação e efetividade se todos estiverem realmente envolvidos, passando a ser sujeitos ativos e especiais nesta implantação, ao qual a educação corporativa só vem a somar nas novas práticas de governança corporativa.

O educar/ensinar novos valores, novas posturas e comportamentos devem ser fortalecidos com práticas de oficinas, treinamentos, palestras, buscando a integração de todos, buscando a conquista dos liderados pelos líderes, proporcionando modelos e exemplos a serem seguidos, para que todos estejam motivados, decididos a ajudar e fazer acontecer a implantação, controle, supervisão de toda mudança requisitada quando diante de um programa de Compliance.

Sim, papéis, multas, cláusulas de sigilo, planilhas, câmeras, regulamentação, adequação... tudo isso faz parte do lado formal e jurídico do Compliance, mas dentro das empresas e dos negócios, por mais tecnológico e inovador que seja o nicho de atuação, não podemos esquecer que sempre teremos o fator humano, as emoções, os desafios, o comodismo, a zona de conforto e a mudança afeta diretamente tudo isso.

Conquistar a equipe, ter modelos de alto escalão e colaboradores de todos os setores com estímulos e vontade certa, ajuda na "contaminação do bem", gerando novos pensamentos, crenças, conceitos, resultando em novas atitudes e comportamentos vindo a favorecer as mudanças esperadas pelo Programa de Compliance.

Temos visto várias empresas perderem suas consultorias, seus projetos e programas, pois apostam somente nas leis, nos atos formais e se esquecem de ensinar, educar, motivar, para posteriormente cobrar, supervisionar e controlar, afinal, não se pode colocar a "carroça na frente dos bois"!

Coadunar conhecimento técnico jurídico, contábil, de tecnologia e regulamentações específicas de cada setor é primordial quando da implantação de qualquer novo projeto neste sentido, mas lembrem-se do fator humano, dos aspectos subjetivos, de saber quem são os colaboradores líderes, motivados e de confiança, pois estes tem um papel de grande importância em todo o processo, proporcionando longevidade e uma verdadeira mudança da cultura interna da empresa, favorecendo assim um verdadeiro Programa de Compliance de Sucesso!

Finalizando, olhe nosso título e inverta a ordem, ou seja, primeiro mude a cultura com treinamentos, palestras, oficinas, dê oportunidades, depois aprimore a governança pois todos já forma treinados, e estão aptos a serem controlados, supervisionados, consequentemente a implantação do Compliance será apenas o resultado final e extremamente satisfatório de toda equipe, favorecendo o novo mundo dos negócios e a sustentabilidade do Programa!

Cristian França - Head of Compliance - Master Of Science in Legal Studies (EUA) com ênfase em Compliance e Risk - Esp. Direito Empresarial e Tributário - MBA em Gestão de Empresas - Executive Mentoring - CEO da mastermentoring.com.br

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Excelente conteúdo. continuar lendo